quarta-feira, 17 de setembro de 2008

Raquel e a janela

Raquel e a janela

Raquel estava na frente da janela de seu quarto. Tão sensual apenas enrolada em uma toalha. Seus belos e enormes seios pareciam que iam saltar para fora da toalha, com a respiração acelerada por tantas novidades. Ela ficou ali parada, admirada com o belo horizonte avermelhado, ninguém poderia estar vendo, pensou. Morando no sexto andar, tinha a privacidade de poder andar do jeito que quisesse pelo apartamento. Apenas ela admirava aquele horizonte todo, tão lindo. Lembrou dos tempos de infância e como se comovia com as coisas mais simples. Achava beleza em tudo. Uma nuvem branca que passava sobre um céu azul, como um navio vagando solitário por oceanos cheios de aventuras. As flores do jardim que sempre a presenteavam com novas cores e texturas durante o ano todo. A natureza a enfeitiçava.

Agora aos quarenta anos, ela tinha muitas recordações. Ficava olhando para o seu passado como quem folheia um velho álbum, se deliciava com as lembranças. Tudo a sua volta era apenas um pretexto para abandonar o presente e mergulhar nas recordações. Pensava que já tinha feito tudo. Chegou até ali sozinha e nunca desistiu de seguir mais a frente. Gostava de procurar novidades como uma criança que fica a remexer nas gavetas dos adultos.

Não era fácil passar em um concurso publico ainda mais para o banco. Teve que estudar muito, muita legislação e outros assuntos que não dominava. Abrir mão da companhia dos amigos. Seu namorado andava chateado com tanta dedicação por parte dela. Mas agora ela olhava o horizonte com tantas possibilidades. Que nem percebeu quando a toalha caiu, deixando seus seios a mostra. Tinha que festejar, ligar para alguém, mas quem? Ficou pensando. Seu seio livre, os bicos voltados para o horizonte. Apoiou-se no marco da janela. O vento entrava com vontade pela janela, fazendo que ficasse despenteada. Raquel com seus cabelos crespos e ruivos. Seus cabelos eram compridos que chegava às pontas tocar suas ancas generosas. Perfeito corpo de violão.

Tinha um problema, agora que já tinham passado às provas. O jornal com a lista dos aprovados estava sobre sua cama. Não tinha mais desculpas, estava com o tempo livre, mas para quem iria ligar primeiro. Ela não queria magoar ninguém, ficou pensando. Quem seria o primeiro, a saber, da novidade.



O horizonte parecia que a chamava, com uma musica sedutora. Uma musica parecida com a que às sereias cantam para os marinheiros novos. Estava cada vez mais seduzida. Ela estava olhando o futuro. Estava em êxtase, com tanta felicidade.


Puxou uma cadeira que estava ao lado da janela e subiu. Linda, seu corpo branco como um copo de leite, algumas pintinhas. Seu corpo parecia um mapa do universo e aquelas pintinhas pequenos planetas a serem descobertos e catalogados. Seus pelos púbicos também eram ruivos. O vento a abraçava. Cada vez mais forte. Raquel nua em cima da cadeira, observando e sendo envolvida por aquele horizonte avermelhado a chamando.


Atravessou a janela e ficou no parapeito do lado de fora, feliz com sua vida de braços abertos para o futuro. Tudo estava se ajeitando em sua vida. O emprego que tanto queria a paixão que sentia pelo namorado, o amor e a campainha dos amigos. Raquel abriu os braços, ela queria tudo inclusive aquele horizonte. Estava tão excitada que nem percebeu quando mergulhou atrás do seu horizonte.

Raquel morreu aos quarenta anos, feliz. Tudo tinha dado certo. Conseguiu realizar todos os sonhos, mas sonhos são sonhos. E ela dormiu.
Seu corpo na calçada estava tão lindo, no rosto os olhos ainda abertos e um estranho sorriso.

Um visinho que passava pelo local e carregava o jornal embaixo do braço com as noticias do dia, comentou com a faxineira. Esta passou, passou direto pro céu.

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