Claudia, uma mulher de linhagem
Quando entrei na sala a primeira coisa que me chamou a atenção foram suas mãos e a maneira como estava cruzando as pernas, sentada numa das extremidades do sofá. Claudia tinha o corpo de uma mulher madura e elegante, com formas ligeiramente cheias. Usava um vestido curto na altura dos joelhos e que deixava as pernas e os braços à mostra, um vestido preto, liso. Suas jóias imitando ouro, um colar de perolas e o vestido dava um ar misterioso. Definitivamente tinha muita classe para estar naquele lugar. Maquiagem pesada escura e sua pele morena, os cabelos curtos e negros. O corte do cabelo na altura do pescoço, uma franja. Muito liso seu cabelo. Ela tinha uma áurea de mistério, algo que misturava sensualidade e perigo.
O clube estava vazio, apenas o garçom ainda continuava na copa. Tinha uma garrafa de vinho e duas taças a sua frente na mesinha de centro, parecia que estava esperando alguém a horas. Sentei-me num sofá a sua frente e fiquei analisando a situação. Muito bonita suas pernas, pareciam uma escultura com todas as formas que uma perna deve ter, ela não tinha aquelas pernas secas que estamos acostumados a ver nas mulheres modernas. Os quadris também eram largos. O que mostrava que tinha boa genética.
Sempre venho ao clube de caça a noite para tentar encontrar os amigos e marcar novas caçadas, é um esporte tentador. Quando se esta caçando existe uma perfeita interação entre o caçador e sua presa. É inexplicável a final, como se você conseguisse sentir cada batida e respiração mais forte do animal que esta abatendo, lutando. Tão forte como se o tempo parasse e aquele, ultimo minuto durasse uma eternidade, a pupila dilatada e o momento final, não existe nada mais prazeroso do que este momento. Quando você rouba uma vida.
O colar de perolas que Claudia estava usando se perdia no decote de seu vestido, uma parte deslizando para entre seus seios, podia sentir o cheiro das conchas marinhas. Fiquei tentado e contar quantas perolas tinha seu colar. Ela notou meu interesse e ficou me olhando nos olhos, mostrando que também podia me observar. Que também tinha força e audácia, para me observar. O garçom apareceu na sala, e quando ia pedir uma garrafa de vinho. Ela me ofereceu uma taça. Pedi ao garçom que fosse embora e sentei ao seu lado, ela me avisou que o vinho era de uma safra especial. Que nem todas as pessoas sabiam apreciar, e que se, eu aprecia-se poderia não querer beber outro. Sorri de sua preocupação. Já tinha tomado tantos outros vinhos únicos, que não seria aquele o primeiro.
Ela usava um anel na mão direita que me chamou a atenção em especial, já fazia uns trinta anos que não via um daqueles. Pensei que nunca mais fosse ver. Vivíamos momentos difíceis para manter as tradições. Eu mesmo já tinha aposentado todas as minhas convenções e renegado meus antepassados.
Aquela mulher me fez voltar no tempo das grandes caçadas, senti o gosto na boca quando meus lábios ficaram úmidos pelo vinho. Ela sorriu.
O vinho, tão denso e escuro que ficou algumas gotas negras no canto dos meus lábios, que ela limpou com seu dedo.
Encostou o dedo indicador em sua língua e sorveu aquela gota, sua língua muito viva avermelhada, úmida, com um brilho especial.
Perguntei-lhe sobre o anel. Tinha sido uma herança de um parente que morava muito longe, um tio avô. Que foi assassinado por questões religiosas. Eu sabia o significado daquele anel e de onde vinha todo seu encanto. Perguntei se ela sabia a respeito da tradição, ela tinha uma boa linhagem.
Quando a garrafa de vinho secou, ficamos realmente sedentos por mais vinho. E foi desta maneira que Claudia entrou na minha vida, nunca mais cassei sozinho. Gostaria de nós conhecermos?
Marina e seu companheiro
Há 17 anos


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