terça-feira, 30 de setembro de 2008

1933 foi um ano ruim

1933 foi um ano ruim (1933 was a Bad year), mais uma obra do autor que mostra sua sensibilidade para captar a essência da alma humana, baseado em fatos autobiográficos. John Fante traça uma panorâmica da desilusão do sonho americano. Ao abordar a historia de um rapaz do interior que luta entre a realidade imposta por uma condição social e seus sonhos. Que tenta através dos esportes uma ascensão, quebrando as correntes que o prendem a miséria. Trás a típica historia de um rapaz que vive em uma cidade pequena e convivendo com uma realidade cotidiana, sonha com a vida e o brilho da cidade grande. Este livro só viu a luz após a morte de seu autor, foi publicado pela primeira vez em 1985. Este é mais um romance que segue a mesma temática do autor como: as diferenças e conflitos entre as classes sociais, pobreza, sexualidade reprimida, e a desilusão pelo sonho americano. John Fante nasceu no Colorado,EUA, em 1009 e morreu em 1983, aos 74 anos. Escreveu vários contos, romances e roteiros para o cinema.

segunda-feira, 29 de setembro de 2008

Pergunte ao Pó

Pergunte ao Pó (titulo original em inglês ASK THE DUST) de John Fante, é uma obra prima da literatura Americana. A envolvente historia de um escritor tentando ser reconhecido como tal. Traz também um lindo romance entre o escritor e uma garçonete de origem mexicana; alem de uma forte critica social. É o relato de uma época e mais importante da criação. Toda a angustia pelas quais passam os escritores novos. A forma como Fante escreve trás na “simplicidade” um fluxo continuo onde o leitor não consegue parar, tamanho envolvimento que o autor consegue com o leitor.
Seu personagem principal Arturo Bandini é um escritor que chega a Los Angeles e se instala em um hotel a procura de uma grande historia para escrever e do reconhecimento. Passando por varias dificuldades financeiras, crises de identidade, quanto a sua qualidade como escritor. Ele vai vivendo numa expectativa de se tornar um grande escritor, convivendo com outros personagens que são símbolos, estereótipos marginalizados pela sociedade. Pessoas humildes com vidas simples, mas com um charme irresistível, você pode sentir suas emoções. Enquanto o personagem vai desenvolvendo uma historia tentando encontrar seu caminho, o autor tece um jogo em que consegue contar a historia do personagem. Fatos como tentar contar uma historia sem ter experiência sobre o assunto, experiência esta que o personagem ao longo de sua caminhada vai adquirindo. Em certos momentos Bandini se mostrar tão ingênuo que nós toca o coração em outras chega a ser hilário, envolvente. A tensão do romance foi muito bem articulada como notas musicais dando um ritmo que emociona. Para quem quer um ótimo romance esta é a dica. Mas para quem quer um livro que acima de tudo é uma aula de como escrever um bom livro, este é o livro. Fante consegue com sua técnica chegar a simplicidade envolvendo o leitor de tal forma que você apenas percebe que esta lendo quando chega ao final do livro, com aquela sensação de querer mais.


http://pt.shvoong.com/WebAgents/Redir.aspx?wID=5&tURL=http://pt.shvoong.com/books/romance/1843862-pergunte-ao-p%C3%B3/

domingo, 21 de setembro de 2008

Claudia, uma mulher de linhagem

Claudia, uma mulher de linhagem


Quando entrei na sala a primeira coisa que me chamou a atenção foram suas mãos e a maneira como estava cruzando as pernas, sentada numa das extremidades do sofá. Claudia tinha o corpo de uma mulher madura e elegante, com formas ligeiramente cheias. Usava um vestido curto na altura dos joelhos e que deixava as pernas e os braços à mostra, um vestido preto, liso. Suas jóias imitando ouro, um colar de perolas e o vestido dava um ar misterioso. Definitivamente tinha muita classe para estar naquele lugar. Maquiagem pesada escura e sua pele morena, os cabelos curtos e negros. O corte do cabelo na altura do pescoço, uma franja. Muito liso seu cabelo. Ela tinha uma áurea de mistério, algo que misturava sensualidade e perigo.


O clube estava vazio, apenas o garçom ainda continuava na copa. Tinha uma garrafa de vinho e duas taças a sua frente na mesinha de centro, parecia que estava esperando alguém a horas. Sentei-me num sofá a sua frente e fiquei analisando a situação. Muito bonita suas pernas, pareciam uma escultura com todas as formas que uma perna deve ter, ela não tinha aquelas pernas secas que estamos acostumados a ver nas mulheres modernas. Os quadris também eram largos. O que mostrava que tinha boa genética.

Sempre venho ao clube de caça a noite para tentar encontrar os amigos e marcar novas caçadas, é um esporte tentador. Quando se esta caçando existe uma perfeita interação entre o caçador e sua presa. É inexplicável a final, como se você conseguisse sentir cada batida e respiração mais forte do animal que esta abatendo, lutando. Tão forte como se o tempo parasse e aquele, ultimo minuto durasse uma eternidade, a pupila dilatada e o momento final, não existe nada mais prazeroso do que este momento. Quando você rouba uma vida.


O colar de perolas que Claudia estava usando se perdia no decote de seu vestido, uma parte deslizando para entre seus seios, podia sentir o cheiro das conchas marinhas. Fiquei tentado e contar quantas perolas tinha seu colar. Ela notou meu interesse e ficou me olhando nos olhos, mostrando que também podia me observar. Que também tinha força e audácia, para me observar. O garçom apareceu na sala, e quando ia pedir uma garrafa de vinho. Ela me ofereceu uma taça. Pedi ao garçom que fosse embora e sentei ao seu lado, ela me avisou que o vinho era de uma safra especial. Que nem todas as pessoas sabiam apreciar, e que se, eu aprecia-se poderia não querer beber outro. Sorri de sua preocupação. Já tinha tomado tantos outros vinhos únicos, que não seria aquele o primeiro.


Ela usava um anel na mão direita que me chamou a atenção em especial, já fazia uns trinta anos que não via um daqueles. Pensei que nunca mais fosse ver. Vivíamos momentos difíceis para manter as tradições. Eu mesmo já tinha aposentado todas as minhas convenções e renegado meus antepassados.

Aquela mulher me fez voltar no tempo das grandes caçadas, senti o gosto na boca quando meus lábios ficaram úmidos pelo vinho. Ela sorriu.
O vinho, tão denso e escuro que ficou algumas gotas negras no canto dos meus lábios, que ela limpou com seu dedo.

Encostou o dedo indicador em sua língua e sorveu aquela gota, sua língua muito viva avermelhada, úmida, com um brilho especial.

Perguntei-lhe sobre o anel. Tinha sido uma herança de um parente que morava muito longe, um tio avô. Que foi assassinado por questões religiosas. Eu sabia o significado daquele anel e de onde vinha todo seu encanto. Perguntei se ela sabia a respeito da tradição, ela tinha uma boa linhagem.

Quando a garrafa de vinho secou, ficamos realmente sedentos por mais vinho. E foi desta maneira que Claudia entrou na minha vida, nunca mais cassei sozinho. Gostaria de nós conhecermos?

quarta-feira, 17 de setembro de 2008

Cristina e a fé

Cristina e a fé


Cristina teve uma visão de que o apocalipse estava próximo. Correu para a igreja e ficou orando. Pedindo algum sinal. Ela que já estava há tanto tempo em perfeita comunhão com sua fé. Esperava ser salva de todos os seus pecados. Cada vez mais envolvida com as coisas da alma.
Em primeiro lugar tinha a sua fé, tudo girava em seu dia de fé, muita fé. Com a religião que escolhera sua tabua de salvação.
Seu marido trabalhando demais e nos últimos anos estava se empenhando mais ainda para uma nova promoção. Eles queriam comprar uma casa, a promoção viria bem, naquela hora. Seria um milagre, e lá ia Cristina apavorada e feliz se ajoelhar no altar. Estavam casados há quinze anos e não tinham ainda adquirido nada. Nem bens matérias, filho, cachorro, nem uma planta. O tempo era curto para Luiz e Cristina, ele trabalhava enquanto ela orava.

Das oito as nove ela rezava em seu quarto, depois ficava até as onze horas da manhã escutando as orações do pastor no pequeno rádio da cozinha. Colocando um copo d’água ao lado do radinho. Como o pastor tinha indicado. Enquanto lia a bíblia, e tinha suas visões do paraíso. A salvação estava tão próxima que ela podia sentir estar sendo salva. Ao meio dia fazia suas orações e comia uma torrada, sem tempo para fazer o almoço, não podia perder tempo. Deus era muito importante, o único significado de sua vida, o resto estava em segundo plano, coisas imundas. Luiz chegava todo dia tarde sem vontade de falar, Cristina se resguardava no quarto para orar.

Luiz começou a ficar no bar perto do serviço, tomando uma cerveja com os amigos depois do expediente, Cristina viu aquilo como obra do Diabo. Não perdeu tempo e começou uma novena. Deus ia salvar seu casamento, Luiz tinha que entender que o fim do mundo estava próximo. Ela estava orando pelos dois.

Com o tempo cada um foi ficando em seu mundo, mesmo quando Luiz resolvia chegar cedo em casa para ficar com ela. Ela não podia ficar tinha que ajudar a organizar alguma coisa na igreja. Ele sabia que ela sempre foi uma mulher inteligente, mas ele não conseguia entender aquela escravidão em nome de uma fé. Deus tinha que ser um sujeito menos egoísta e devolver a mulher dele, ficava pensando. Enquanto bebia no bar vendo os outros casais nas mesas ao lado conversando. Ele já não se lembrava de como era conversar com a sua mulher, ou a ultima vez em que fizeram um sexo bem safado. Agora era tudo amor, também nunca tinha imaginado que o amor era algo tão sem graça.

Precisaram na igreja. De alguém para trabalhar aos finais de semana com crianças carentes e grupos de jovens, a proposta era tão nobre que Cristina nem comentou com o marido a nova tarefa que ela tinha aceitado.
Foi uma surpresa quando Luiz acordou num sábado de manhã e viu que o lado da cama de sua esposa estava vazio, esperou até a noite quando ela chegou para conversarem.
Cristina estava sem tempo, tomou um café bebido e voltou para o culto. Prometeu que quando ela voltasse, eles conversariam. Quando ela chegou Luiz já estava dormindo. Ficou emocionada seu amor dormia tão tranqüilo que parecia até um anjo, ficou horas olhando ele dormir e aproveitou para ler um pouquinho mais a bíblia.
Naquela época Deus deveria estar de caixa baixo, sempre ela tinha que levar alguma coisa ou dinheiro para a igreja e não bastava só o dizimo, ela tinha que ter fé. Deus era insaciável por dinheiro, ele tinha que construir grandes igrejas e templos cada vez mais luxuosos. Depois ele ia devolver tudo pra ela no céu.

Aluguel atrasado, luz, água e outras contas. Como o Diabo agia de forma sorrateira tentando tirar ela do caminho da fé, mas ela se mantinha imune ao tinhoso, até o dinheiro da comida ela já estava dizimando, deus tinha mais juros e impostos que o governo brasileiro, e olha que ele é único. No governo temos muitas bocas para alimentar. Depois de dois anos devota da nova fé, ela adormeceu sonhando com Deus e o céu, seu marido ia entender tudo um dia. Até em seus sonhos os dois estavam ligados pela vida eterna, andando por lindos jardins celestiais.

Luiz saiu cedo aquele dia em que ela continuava sonhando. O marido deixou apenas um bilhete no criado mudo, estava escrito “fique com Deus!”, Cristina acordou com a batida da porta da frente se fechando.

Raquel e a janela

Raquel e a janela

Raquel estava na frente da janela de seu quarto. Tão sensual apenas enrolada em uma toalha. Seus belos e enormes seios pareciam que iam saltar para fora da toalha, com a respiração acelerada por tantas novidades. Ela ficou ali parada, admirada com o belo horizonte avermelhado, ninguém poderia estar vendo, pensou. Morando no sexto andar, tinha a privacidade de poder andar do jeito que quisesse pelo apartamento. Apenas ela admirava aquele horizonte todo, tão lindo. Lembrou dos tempos de infância e como se comovia com as coisas mais simples. Achava beleza em tudo. Uma nuvem branca que passava sobre um céu azul, como um navio vagando solitário por oceanos cheios de aventuras. As flores do jardim que sempre a presenteavam com novas cores e texturas durante o ano todo. A natureza a enfeitiçava.

Agora aos quarenta anos, ela tinha muitas recordações. Ficava olhando para o seu passado como quem folheia um velho álbum, se deliciava com as lembranças. Tudo a sua volta era apenas um pretexto para abandonar o presente e mergulhar nas recordações. Pensava que já tinha feito tudo. Chegou até ali sozinha e nunca desistiu de seguir mais a frente. Gostava de procurar novidades como uma criança que fica a remexer nas gavetas dos adultos.

Não era fácil passar em um concurso publico ainda mais para o banco. Teve que estudar muito, muita legislação e outros assuntos que não dominava. Abrir mão da companhia dos amigos. Seu namorado andava chateado com tanta dedicação por parte dela. Mas agora ela olhava o horizonte com tantas possibilidades. Que nem percebeu quando a toalha caiu, deixando seus seios a mostra. Tinha que festejar, ligar para alguém, mas quem? Ficou pensando. Seu seio livre, os bicos voltados para o horizonte. Apoiou-se no marco da janela. O vento entrava com vontade pela janela, fazendo que ficasse despenteada. Raquel com seus cabelos crespos e ruivos. Seus cabelos eram compridos que chegava às pontas tocar suas ancas generosas. Perfeito corpo de violão.

Tinha um problema, agora que já tinham passado às provas. O jornal com a lista dos aprovados estava sobre sua cama. Não tinha mais desculpas, estava com o tempo livre, mas para quem iria ligar primeiro. Ela não queria magoar ninguém, ficou pensando. Quem seria o primeiro, a saber, da novidade.



O horizonte parecia que a chamava, com uma musica sedutora. Uma musica parecida com a que às sereias cantam para os marinheiros novos. Estava cada vez mais seduzida. Ela estava olhando o futuro. Estava em êxtase, com tanta felicidade.


Puxou uma cadeira que estava ao lado da janela e subiu. Linda, seu corpo branco como um copo de leite, algumas pintinhas. Seu corpo parecia um mapa do universo e aquelas pintinhas pequenos planetas a serem descobertos e catalogados. Seus pelos púbicos também eram ruivos. O vento a abraçava. Cada vez mais forte. Raquel nua em cima da cadeira, observando e sendo envolvida por aquele horizonte avermelhado a chamando.


Atravessou a janela e ficou no parapeito do lado de fora, feliz com sua vida de braços abertos para o futuro. Tudo estava se ajeitando em sua vida. O emprego que tanto queria a paixão que sentia pelo namorado, o amor e a campainha dos amigos. Raquel abriu os braços, ela queria tudo inclusive aquele horizonte. Estava tão excitada que nem percebeu quando mergulhou atrás do seu horizonte.

Raquel morreu aos quarenta anos, feliz. Tudo tinha dado certo. Conseguiu realizar todos os sonhos, mas sonhos são sonhos. E ela dormiu.
Seu corpo na calçada estava tão lindo, no rosto os olhos ainda abertos e um estranho sorriso.

Um visinho que passava pelo local e carregava o jornal embaixo do braço com as noticias do dia, comentou com a faxineira. Esta passou, passou direto pro céu.

Lia e seus pequenos prazeres

Lia e seus pequenos prazeres

Aos trinta anos estava solteira de novo, tinha acabado de se separar quando voltou a trabalhar no turno da noite Lia é uma ótima médica legista que adora seu trabalho no necrotério da cidade, ela prefere trabalhar a noite quando não tem ninguém para incomodar. Pegava seus instrumentos, o rádio e ia para a sala de necropsia. Sempre tinha um corpo novo para cortar e descobrir seus segredos.
Quando surgia um desfigurado ela se lembrava dos jogos de montar quebra-cabeça e se divertia montando o defunto.
Referia-se ao trabalho como uma artesã que seguia a tradição grega. Estudava muito à fundo sua profissão, e quando ficou sabendo que na época de Hipócrates já tinha gente se divertindo como ela agora podia se divertir.
A sala estava meio fria e o inox limpo pela assepsia parecia brilhar, lhe deu uma tremenda fome e antes de começar pediu um cachorro quente com duas salsichas, tiras de bacon e batata palha. Quanto mais ela comia mais magra parecia, seu metabolismo era muito rápido.
O entregador levou a encomenda até o portão que dava acesso ao necrotério e ficou buzinando, Lia saiu correndo e gritando com o garoto, você quer acordar todo mundo! O rapaz deu de ombros e entregou o pacote, pegando o dinheiro. E saiu acelerando. Deve ter pensando que maluca, ali só tem gente morta. Ela se divertiu com a cara do rapaz e o que ele podia ter ficado pensando a respeito dela. Sentou em cima da mesa e comeu seu lanche, derrubando mostarda em seu avental azul.
Tinham chegado dois corpos novos de um acidente na auto-estrada, um casal jovem que tinha se perdido numa curva. O rapaz de 18 anos estava todo arrebentado, tinha saído do carro na colisão, a garota de 16 anos estava usando o cinto de segurança e tinha só uma perfuração no estomago por causa de uma barra de ferro que tinha entrado pelo vidro da frente. Os corpos estavam em cima de outras duas mesas, tapados por lençóis brancos, no local que tinha os ferimentos estava sujo de sangue. E Lia tinha ficado olhando para as duas mesas enquanto comia.

Ela limpou o canto da boca passando a manga da blusa, e desceu da mesa. Para pegar um cigarro em sua bolsa. Ficou um bom tempo fumando e pensando na conta do telefone que estava atrasada. Sua mãe iria ficar preocupada, pensou.

Estava tão na cara causa mortis daquele casal que ela teve que rir, a vantagem que ela via naquele serviço é que os clientes nunca reclamavam. O salário razoável e trabalhava em turnos com outro colega, assim no verão conseguia dar umas escapadas até a praia.

Lia pegou seus instrumentos e foi até a garota, começou pela ectoscopia, realizando o exame externo minuciosamente, no inicio ela não abre as cavidades naturais, vai tomando nota em seu bloco das características da vitima, sexo, estatura, idade aparente, cor dos olhos, e dos cabelos. Contínua anotando tudo que vê como fraturas, cicatrizes, hematomas e outras lesões cutâneas...

Mas o que ela mais gosta é do exame macroscópico, e esta garota estava bem conservada para realizar um exame interno de primeira, ela pega as ferramentas, começa por uma incisão longitudinal que vai da incisura jugular à sínfise púbica desviando a região mediana na altura do umbigo. Retira o externo fazendo um corte ao nível das cartilagens costais, desta forma ela fica observando os órgãos tóraco-abdominais, analisando procurando alguma alteração na posição dos mesmos. Ela continua por mais duas horas, quando para pra um cafezinho.
Após terminar o café ela volta ao trabalho finalizando a necropsia da garota e a costura de forma que não se perceba quando vestida o que teve que ser feito.
Depois vem a parte chata da historia, preencher o relatório da declaração de óbito com a causa mortis e colocar a garota na gaveta. Lia tinha um gosto especial por mulheres jovens. Ela se sentia tão à vontade enquanto trabalhava, ficava falando de seus problemas e sonhos, chegava a ficar intima da defunta. Inventava nomes e as maquiava, mas Alice era diferente. Alice foi o nome que ela deu para o corpo. Ela tinha trazido seu namorado junto, Lia não se sentia a vontade com Rafael, ali na outra mesa. Teve uma idéia, abriu uma de suas gavetas na mesa ao lado da cafeteira e escolheu aleatoriamente um relatório de alguns meses atrás. Ótimo!Exclamou, tinha achado um relatório que servia bem para Rafael e o jogou carimbado dentro da gaveta. Começou a cantar acompanhando a musica que estava tocando, estava feliz. Só ela e Alice agora podiam falar de coisas mais serias. Ela começou a sentir um calor pelo corpo. Vendo a garota dormindo tão sossegada. Não resistiu e a beijou, encostou seus lábios quentes nos lábios frios da garota, Alice tinha lábios carnudos e Lia os mordiscou enquanto fazia carinho no cabelo da garota que a retribui com uma pequena secreção que saia pelo canto esquerdo da boca.

Milena e o teste

Milena e o Teste


Milena tinha 19 anos e era a garota mais linda da cidade. Todo seu charme de menina mulher encantava os homens de todas as idades. Não tinha nada que ela não conseguia, com seu jeitinho, sorriso ou uma cruzada de pernas.
Naquele ano tinha entrado para a faculdade graças ao monitor e um outro candidato. O monitor não conseguia tirar os olhos de suas pernas enquanto o colega ia passando as respostas da prova. Até ai não tinha nenhuma novidade toda sua vida estudantil, vinha sendo levada daquele jeito solto, mas agora era uma mulher independente, morando longe da casa dos pais, cheia de novas amizades, festa e badalação.

Comprou varias armas. Sapatos, bolsas, brincos, roupa sexy e etc. Estava preparada para sua nova vida. Escolheu o salão de cabeleireiros mais caro da cidade e tratou logo de ficar amiga do Tony.

Tony é um grande cabeleireiro e confidente, as mulheres sempre o procuram para fazer um visual novo ou para contar as novas fofocas. Tony adorou Milena desde o primeiro dia que ela apareceu em seu salão, era uma garota tão naturalmente fútil e vazia que os dois se completavam e tudo girava em torno das estações e tendências da moda, ele sempre lhe dava conselhos de como abordar um homem. Ele gostava de homens inteligentes e do tipo que vão à padaria só de shorts de náilon depois de malharem bem seus corpos sarados. Milena queria mais, além de um belo corpo, uma condição social também era muito importante. Aquele tinha que ser o seu ano, já estava com 19 anos e tinha que conseguir alguém à altura de suas expectativas.

Quando escutou o radialista falar no rádio, que fulano de tal. O musico famoso ia se apresentar naquela noite, ela quase não acreditou. Deixou o café esfriando na mesa da cozinha pegou sua bolsa e foi correndo falar com o Tony, ele estava fazendo uma permanente em uma loira para o show da noite. Ficou sentada olhando as revistas dos famosos enquanto esperava ser atendida. Todas aquelas festas, praias e gente famosa. A partir daquela noite ia fazer parte deste mundo de sonhos, sempre sonhou em casar com um sujeito famoso e rico.
Suas amigas na faculdade de letras diziam que ela podia escolher qualquer sujeito, tinha tudo para agarrar seu futuro com as duas mãos e sem precisar força, bastava um olharzinho pedindo carinho e ele estaria fisgado.

Se não gostasse dele podia pedir o divórcio. Ficaria com uma boa renda até encontrar o seu próximo amor. Tinha que começar se não desce certo, podia sempre recomeçar. A conta no banco iria apenas crescer. Casas na praia, na serra, viagens para Europa, comprar tudo que visse e gostasse. Ficou ali folhando as revistas durante uma hora e nem percebeu que mais mulheres iam chegando e passando a sua frente, o salão estava lotado, o show tinha agitado as mulheres da cidade. Não tinha um salão na cidade que não estivesse lotado. Tony lhe falou para dar uma volta e voltar mais tarde, estava sem uma brechinha na agenda para encaixá-la, mas no final da tarde daria um jeito.
Mas Tony você precisa me atender, meu amor esta na cidade. Quase chorando falou.
Tony tentou lhe responder da maneira mais gentil. Eu sei querida, quero te ajudar. Sou seu fá, mas têm outras na frente.
Milena suplicou de joelhos, é uma questão de miséria ou fortuna, vou te recompensar, garanto.
Eu sei, mas agora não da, passa depois a tardinha amor. E já foi dando as costas para Milena e falando com outra cliente que estava lavando os cabelos.

Ela saiu arrasada e foi comprar uma roupa nova, entrou em umas dez lojas, olhando, experimentando, pechinchando. O dia passou tão rápido que quando ela notou já estava na hora de voltar para o salão.

Fez tudo, ela queria um dia de princesa. Como tinha visto na televisão. E Tony e mais duas assistentes lhe deram tudo, pés, mãos, cabelo, maquiagem, banho de espuma. O tratamento de uma rainha. Uma hora antes de começar o show ela estava pronta. Toda produzida dos pés a cabeça, não tinha esquecido nenhum detalhe, mas se lembrou de uma coisa terrível. Tinha esquecido de comprar um perfume novo. Quase entrou em choque, uma das assistentes perguntou de qual perfume ela queria, no salão tinha algumas amostras grátis, mas nenhum servia. Tinha que ser especial. Sua vida dependia de um perfume especial. Chamaram um taxista e ela falou o nome e onde ele podia encontrar.
O sujeito saiu correndo pela cidade, na primeira loja que entrou não tinha, e o taxímetro ligado, rodando, rodando. Conseguiu na segunda e voltou para o salão. Milena estava tomando um copo de água com açúcar e Tony a estava abanando com um leque feito de penas de faisão. Muito colorido.

Ela colocou o perfume e foi correndo para dentro do táxi. Partiram em direção ao teatro onde ia ser o show, no caminho pegaram um tremendo engarrafamento. O relógio não parava, ela já estava atrasada quinze minutos. Milena começou a xingar o taxista, os outros motoristas, pedestres, todos que estavam passando. Tinha perdido a pose, só não estava se escabelando por que tinha que chegar intacta para seu amor.

Foi um alivio quando desceu na frente do teatro nem olhou para trás correu direto para a bilheteria, o taxista nem se importou tinha sido um prazer levar ela e ficar sentindo aquele perfume dentro do automóvel. Ele ficou apenas olhando sua bunda e o gingado de seus quadris.

A bilheteria era uma destas novas. Toda fechada com vidro, para evitar contaminação com os clientes que iam assistir às peças, alguém poderia estar gripado ou ter algum outro vírus e o vidro isolava, regras da casa dizia o dono. Funcionário doente é prejuízo em dobro.
O senhor da bilheteria usava um terno preto, camisa branca, óculos escuros. Quando ela pediu um bilhete para o show, ele se aproximou do microfone e falou que já estava esgotado, não tinha mais nenhum ingresso. Milena começou a fazer seu jeitinho de conseguir as coisas algumas caras e bocas sensuais. Sabia que o sujeito tinha no mínimo o dobro de sua idade, mas nunca foi problema pra ela. Já tinha seduzido muitos daquela idade também. Falou de maneira tão meiga e doce, que o vendedor, pediu que falasse mais alto.
Ela resolveu apelar e mostrou o decote da blusa que mostrava seus seios jovens e durinhos, do tamanho perfeito para qualquer um ninguém resiste ao decote de Milena. Mas o sujeito ainda assim insistia em dizer que estava lotada a casa e agora já se passava trinta minutos, como se a cada toque da campainha na bilheteria ele estivesse sendo informado da hora.

Resolveu jogar pesado com o sujeito e levantou a saia até que ele pudesse enxergar suas calcinhas pretas e a inscrição na frente “me possua!”, escrita em letras brancas com um ponto de exclamação vermelho.

Faltavam cinco minutos para terminar a apresentação, e ela ainda estava insistindo. O senhor já estava de saco cheio e gritou, vê se vai encher o saco de outro garoto!
Você é cego por acaso! Ela gritou já toda escabelada e a maquiagem misturada com as lágrimas.
O sujeito da bilheteria chamou o segurança para tirar ela, mas as portas do teatro já estavam se abrindo e todo mundo saindo. No meio da confusão ela perdeu um dos sapatos e alguém roubou sua bolsa.

Levou quase meia hora para esvaziar o teatro, Milena sendo levada de um lado para o outro, as pessoas saindo felizes rindo e se divertindo, nem a notaram. Quando tudo ficou calmo ela viu o senhor da bilheteria saindo de seu casulo com a bengala branca.